quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Precisamos de Engenheiros mais bem pagos?

Ao contrário de em algumas outras profissões, na Engenharia os profissionais tentam tornar as coisas fáceis e acessíveis para os clientes/consumidores. Há muita informação disponível e isso é bom para todos. Até os produtos e serviços são feitos a pensar no utilizador: o mais simples e intuitivos possível.


Por isso é que já temos pessoas no mercado da Informática sem formação superior, apenas com autoformação. E não penso que seja por isso que são piores. Costumo dizer que prefiro uma pessoa sem formação superior (formal), mas com interesse genuíno e motivação, do que uma pessoa com “canudo”, mas sem interesse no trabalho.


Penso que vale bem mais a motivação pessoal do que os “canudos”, a síndrome do canudo é um grande mal que a sociedade portuguesa deve eliminar (associada à subserviência do “senhor doutor”).


Mas isto faz com que haja “engenheiros”(*) a 10 €/h e o resultado disso é o acesso para (quase) todos a uma quantidade de tecnologia (hardware e software) literalmente milhões de vezes mais poderosa do que há cinquenta anos.


As profissões reguladas por uma ordem (medicina, advocacia, etc.), onde os profissionais se pagam a 100 €/h, evoluíram muito pouco desde há 50 anos. Não estou a falar na investigação por trás da Medicina, pois essa é feita por investigadores/engenheiros pagos a 10 €/h...


Uma pessoa na sociedade atual tem “medo” de recorrer a um advogado ou médico, porque sabe que lhe está a pagar uma ordem de grandeza acima do que aufere e não tem quaisquer garantias de qualidade do serviço. Por outro lado, ninguém tem medo de ir comprar um smartphone a uma loja, ou subscrever uma app online. Já para não falar na quantidade de software livre e gratuito que existe. (Compare-se com o mercado pro bono de médicos e advogados...)


Por isso eu costumo chamar profissão liberalizada à dos "engenheiros". Liberalizada porque está no mercado liberalizado. As profissões reguladas pelas Ordens não estão reguladas pelo mercado, os valores são mantidos artificialmente altos. Eu não defendo o Capitalismo, mas isto não é Capitalismo. Não há mercado a regular-se, são artificialmente criadas condições para beneficiarem/protegerem os respetivos profissionais.


A meu ver o que faz falta não é ter "engenheiros" a 100 €/h, limitar os numerus clausus dos cursos protegidos (como fazem propositadamente nas universidades) ou ter barreiras no acesso à profissão (entrada na Ordem), mas sim ter médicos a 10 €/h e advogados a 10 €/h.


Aí é que iríamos ver a sociedade evoluir no campo da Justiça e da Saúde. Enquanto esta artificialidade interessar aos que lá estão será difícil acabar com ela. Mas quando isso acontecer iremos ter sem dúvida uma sociedade mais livre.


(*) Escrevo entre aspas, pois sem se estar inscrito na Ordem dos Engenheiros não se pode usar o título nem exercer a profissão, legalmente, segundo apurei exaustivamente junto da Ordem e da Provedoria de Justiça. E há milhares de “engenheiros” em Portugal que fazem o Mundo andar e avançar...

domingo, 26 de dezembro de 2021

domingo, 9 de setembro de 2018

Conselhos para a compra de casa em Lisboa

  1. Na minha opinião, e em regra geral, as casas que ultimamente têm aparecido no mercado são casas que anteriormente os proprietários tinham vergonha de colocar no mercado. Ou porque o seu estado é lastimável (buracos no teto e na parede, acabamentos completamente destruídos, materiais podres, etc.) ou porque possuem características nada interessantes. Tendo-se escoado os melhores imóveis no início desta bolha especulativa, o que resta são as piores casas da cidade.
  2. Um imóvel agora anunciado por 280 000 EUR, há 2 ou 3 anos teria sido vendido por e.g. 180 000 EUR. Não falo de cor, mas com base em exemplos concretos de que tive conhecimento. Em geral, um imóvel atualmente anunciado por 300 000 EUR tem 100 000 EUR de especulação pura em cima: ou porque estava fora de jogo e com a escassez atual o proprietário quer ganhar 300 000 EUR porque sim ou porque alguém o comprou por 200 000 EUR e agora quem ganhar 100 000 EUR sem nada fazer. Quem vai pagar estes 100 000 EUR de lucro é quem comprar esta casa por 300 000 EUR. Para o proprietário poder ficar alguns anos a passar férias com este rendimento, quem comprar a casa vai ter que penar mais cerca de 10 anos para pagar apenas esta "mais valia".
  3. Não há razão para esta inflação dos preços senão a da básica lei da oferta e da procura (Economia do 9.º ano, embora muita gente idolatre esta regra rudimentar como se fosse a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, tal é a falta de formação e cultura). Há poucas casas, porque Lisboa já está toda urbanizada e as melhores já se venderam, por isso agora como proprietário quero obter o maior lucro possível sem mexer uma palha. Mas só compra quem quer ou a tal for "obrigado" (infelizmente o segundo caso é uma realidade).
  4. Quando analisarem a FINE olhem para a prestação com a simulação da subida da Euribor. É bem provável que esse cenário venha a ocorrer e convém ter alguma confiança que com esses valores de prestação continuam a conseguir fazer face às despesas.
  5. Não liguem ao valor anunciado. Há um imóvel anunciado nos Olivais por 900 000 EUR que eu nem por 100 000 EUR o queria. Mas pensem no seguinte: se ele estivesse anunciado a 100 000 EUR toda a gente pensaria que o imóvel era fraco. Estando anunciado a 900 000 EUR é natural para uma pessoa desprecavida pensar que o imóvel é bom. Mostrem o imóvel a outra pessoa sem lhe dizer o preço e peçam-lhe a opinião. Nunca confiem num valor anunciado, pensem em quanto realmente acham que o imóvel vale. Calculem quantos anos têm que trabalhar para o pagar, mesmo sem juros, para terem uma noção.

domingo, 7 de setembro de 2014

Excertos do "Contrato Social" de Rousseau

 

Livro Primeiro 

 

Capítulo VII, Do Soberano

 

"Mas o corpo político ou o soberano, cuja razão de ser só é justificada pela elevação do contrato, nunca poderá assumir deveres, mesmo para com outrem, que de algum modo afectem o acto, tais como alienar uma parte de si mesmo ou tomar uma atitude de submissão perante um outro soberano. Violar o acto que lhe dá razão de existência, seria anular-se e o que nada é, nada cria."

Capítulo IX, Do domínio real

 

"Terminarei este capítulo e este livro com uma observação que deve servir de base a todo o sistema social; e é que o pacto social, em vez de destruir a igualdade natural, concede-lhe, pelo contrário, uma igualdade moral e legítima onde a natureza tinha criado uma desigualdade física, e os homens que na força e no génio são desiguais, tornam-se iguais pela convenção e pelo direito (¹)."

"(¹) Nos maus governos, esta igualdade é apenas aparente e ilusória; serve para manter o pobre na miséria e o rico na usurpação. Na realidade as leis são sempre úteis para os que possuem e prejudiciais para os que nada têm; de onde se segue que o estado social só é vantajoso para os homens, quando todos eles possuem alguma coisa, sem que nenhum entre eles tenha demasiado."

Livro Segundo 

 

Capítulo II, A soberania é indivisível

 

"Se estes dois escritores [Grócio e Barbeyrac] tivessem adoptado princípios verdadeiros, todas as suas dificuldades estariam vencidas e teriam sido sempre consequentes; tristemente confessariam a verdade e só ao povo fariam a corte. Mas a verdade nunca trouxe a fortuna, e o povo não concede embaixadas, nem dignidade, nem pensões."

Livro Terceiro 

 

Capítulo I, Do governo em geral

 

"Toda a acção livre tem duas causas que concorrem para a produzir: uma moral, ou seja, a vontade que determina o acto; outra, física, ou seja o poder que a executa. Quando me dirijo para um objectivo, primeiramente é necessário que eu queira ir; depois, que os meus pés me levem."

Capítulo VIII, Que qualquer forma de governo não é própria para qualquer país

 

"Em todos os governos do mundo, a entidade pública consome e nada produz. De onde provém então a substância consumida? Do trabalho dos seus membros. É o supérfluo dos particulares que produz o necessário para o público. De onde se conclui, que o Estado civil não pode subsistir se o trabalho dos homens não lhe rende mais do que aquilo que lhes é necessário."

(...)
"Por outro lado, os governos não são todos da mesma natureza; são mais ou menos vorazes; e as diferenças baseiam-se num outro princípio: as contribuições públicas são tanto mais pesadas quanto mais estão afastadas da sua fonte. Não é pela quantidade dos impostos que se deve medir esta carga, mas pelo caminho que têm de percorrer antes de voltar às mãos de onde saíram. Quando esta circulação é rápida e bem estabelecida, não importa que se pague muito ou pouco, o povo é sempre rico e as finanças caminham bem. Pelo contrário, por pouco que o povo dê, quando este pouco não regressa, o dar sempre, depressa o esgota: o Estado nunca é rico e o povo é sempre miserável."

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

País de legisladores corruptos ou, no melhor caso, incompetentes

Sobre o desbloqueamento de telemóveis sem fidelização, mas pode, infelizmente, estender-se a muitas outras áreas...

Do Decreto-Lei n.º 56/2010:

"4 — Não existindo período de fidelização, pelo serviço de desbloqueamento do equipamento não pode ser cobrada uma quantia superior à diferença entre o valor do equipamento, à data da sua aquisição ou posse, sem qualquer desconto, abatimento ou subsidiação, e o valor já pago pelo utente."

Alguém consegue perceber com clareza suficiente qual é "o valor do equipamento, à data da sua aquisição ou posse, sem qualquer desconto, abatimento ou subsidiação"? E o que significa "o valor já pago pelo utente"?

Convenientemente, esta linguagem não é clara.

É para isso que existe a ANACOM, para "esclarecer":

"Se o seu contrato não tem um período de fidelização o desbloqueamento não pode custar mais do que a diferença entre o valor de mercado do equipamento na data em que o comprou e o valor que pagou por ele. Esta regra aplica-se independentemente do tempo em que tenha permanecido cliente do operador."

Quem define "o valor de mercado do equipamento na data em que o comprou"? Sendo valores com possivelmente anos de antiguidade, quem regista estes valores de marcado? Pedi esclarecimentos, mas a ANACOM ainda "não teve tempo" de responder (foi a 19 de novembro...)

A cereja no topo do bolo:

"Se não chega a acordo com o seu operador sobre o valor a pagar pelo desbloqueamento do equipamento, pode recorrer aos Centros de Arbitragem de Conflitos de Consumo ou aos Julgados de Paz."

Na prática, os operadores resolveram esta "incompetente" legislação criando a sua própria legislação:

Vodafone:
https://loja.vodafone.pt/homephone/condicoes-de-desbloqueio

TMN:
http://www.tmn.pt/portal/site/tmn/menuitem.3a93764ef379249ec68cd712751056a0/?vgnextoid=cf39363dff58a210VgnVCM1000005401650aRCRD

Optimus:
Não consegui encontrar qualquer informação online. Pediram-me 10 euros para desbloquear o meu telemóvel.

CTT (Phone-ix):
Não consegui encontrar qualquer informação online.

Um post relacionado com este assunto e que revela bem a triste realidade deste país: http://abertoatedemadrugada.com/2013/11/optimus-condenada-em-tribunal-em-caso.html

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre a validade do cartão Lisboa Viva


Carris

4/9/2012

Rececionamos e agradecemos o e-mail que nos dirigiu, que mereceu a melhor atenção.

Os cartões 7 Colinas e Viva Viagem foram especialmente criados para os Clientes menos frequentes, permitindo o carregamento do título que melhor se adequa às suas necessidades e têm a validade de um ano. Ao fim desse tempo poderá dirigir-se a qualquer posto de vendas dos operadores e adquirir um novo cartão. No entanto se ainda tiver títulos carregados poderá sempre utilizá-los até os esgotar ou solicitar que lhe sejam transferidos para o novo suporte os títulos remanescentes no antigo cartão.

A validade de 1 ano dos cartões tem a ver com a inovação tecnológica. Os avanços na tecnologia acontecem com grande rapidez e os nossos cartões vão sendo adaptados não apenas às inovações em cartões com chip mas à modernização do equipamento embarcado nos veículos. Daí a necessidade de serem periodicamente substituídos

Sempre ao vosso dispor, apresentamos os melhores cumprimentos.

Agostinho Antunes
Gabinete do Provedor do Cliente

CP

24/9/2012

Em resposta à questão colocada, esclarecemos que os cartões Viva Viagem possuem 1 ano de validade tendo em consideração a fiabilidade deste suporte.

Em caso de avaria, nesse período, o suporte é substituído gratuitamente, sendo o saldo remanescente transferido para outro cartão. Passado esse período existem probabilidades de avaria do cartão, pelo que, poderiam ocorrer várias situações de incómodo para os clientes do transporte público nos pontos de acesso controlado ao sistema (portas).

Atualmente encontram-se em estudo outros suportes podendo a sua validade vir a ser estendida.

Endereçamos os nossos melhores cumprimentos,

Núcleo Pós Venda
CP Lisboa | Apoio ao Cliente

Metro de Lisboa

sem resposta